Ausente...

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Ausente dos homens e das flores
Ausente dos homens e das flores
vagueio por dentro de um túnel negro do tempo.
Não estou
Não sou
Não quero estar
Não quero ser
E conquanto, num estado de silenciado pranto,
no âmago mais profundo,
esquálida espada emerge lívida.
Desejo reles e permanente,de querer ser ... gente!
Na raiva, aglomero muros, mordo a língua,
cerro os dentes,asfixio a palavra no turbilhão ciclónico da saliva.
Ausente dos homens e das flores
Rebusco um gesto
Um sentido pressentido
Ouso elevar um braço
Iço-me étera no oco do espaço
Dependuro-me equilibrista,
acrobata,no vértice do som mais estridente.
Nas estrelas electrizadas, nas redondas, nas bicudas.
Com a boca faço-as mudas.
Silenciadas! Abocanhadas ...
Desço na cauda de um cometa
a quem peço alvíssaras e meças.
Respondem-me sempre os ecos escorridos dos fungos,
dos mortíferos cogumelos, dos mais letais,
acantonados nos vitrais da memória.
Ausente dos homens e das cores
apenas o negro pinta as maças do teu rosto
e das flores e dos frutos esqueci há muito recortes
Mel de Carvalho
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