Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Invictus!...


...Por esta estreita senda - eu não declino
Nem por pesada a mão que o mundo
espalma;
Eu sou dono e senhor do meu destino;
Eu sou o comandante da minha alma...

Invictus,
William E Henley

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

No caminho com Maiakóvski!...


No caminho com Maiakóvski


Assim como a criança

humildemente afaga

a imagem do herói,

assim me aproximo de Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer

por andar ombro a ombro

com um poeta soviético.

Lendo teus versos

aprendi a ter coragem


Tu sabes,

conheces melhor que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores

matam nosso cão,

E não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo o nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm

a ninguém é dado

repousar a cabeça

alheia ao terror.

Os humildes baixam o cerviz;

e nós,que não temos pacto nenhum

com os senhores do mundo,

por terror nos calamos.

No silêncio do meu quarto

a ousadia me afogueia as faces

e eu fantasio um levante;

mas amanhã

diante do juiz,

talvez meus lábios

calem a verdade

como um foco de germes

capaz de me destruir.
(...)



Eduardo Alves da Costa

1985









Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

Sem mais nada!...


Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

As manhãs!...


As manhãs, chegam ensonadas
à beira da cama
Ainda o último sonho
na memória a doer,
Há que vencer os pássaros
Pousados em linha à janela
Trauteando afectos
Chega ao limite da rua
Deixa-se escorregar
Suavemente ao colo
da manhã orvalhada
São assim estas manhãs
matizadas de azul!

annadomar

Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

Lo eres todo - Luz Casal

Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Respiro o Teu Corpo!


Sabe a luz mordida

Sabe a brisa nua,

Ao sangue os rios

Sabe a rosa louca

Ao cair da noite

Sabe a lua-de -água

ao amanhecer

Sabe a cal molhada,

Sabe a pedra amarga,

Sabe à minha boca!...



Eugénio de Andrade

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010


Que a tristeza se esfume
Neste fim de tarde de saudade
Sonhos desfeitos
História desencontradas
Um som de cordas
Enche o ar de nostalgia
A dor derrete os dedos
Contra a janela molhada
Embriagada de palavras tristes
Fecha os olhos, para sentir o sal
De um mar distante, sem sentido!...

annadomar

Sábado, Dezembro 26, 2009

NATAL!...




UM BOM NATAL PARA TODOS!

annadomar

Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Colho a maçã!...


Colho a maçã

do livro. Negócio exemplar, nem

por isso transparente.


Sacudo o livro, nenhuma outra

maçã cai. Olho deste lado,

desconfiado, frio. Puxo

um ramo de páginas, só

folhas brilham. Encolho

os ombros, aceito

as minhas falhas.



Joaquim Pessoa

1990

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009


Quem não entende um olhar,


muito menos entenderá uma longa explicação!...






Provérbio Árabe

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Coisas de Peões!...


... e foram infelizes para sempre, ele deixou de dançar como dançava, ele deixou de bater, como batia...
annadomar

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Como é por dentro outra pessoa!...


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

É de repente!...


É de repente que a noite chega
cada vez mais depressa
Fica a nostalgia dos fins de tarde
com cheiro a maresia
Com marés carregadas
de saudades de pés molhados
Estendo o corpo na areia húmida
sinto o arrepio do frio
que as mãos vazias absorveram sofregamente
Sem limites, sem bondade!...
annadomar

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Espelho de Água





Olhos bem abertos, percorro a paisagem
E guardo o que vejo, para sempre, uma clara imagem
Um manto imenso de água, um pingo move o mundo,
Corrente forte exacta, de um azul quase profundo,


Um sopro de ar, faz girar, o mundo melhor,
Raio de sol, luz maior, para partilhar,
O espelho nunca mente, fiel como ninguém,
Faz da vida, paixão energia, que toca sempre mais
alguém,


Refrão


Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso afinal,
Em nós, vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor,
Eu sei, que gestos banais, parecem pouco, mas talvez sejam fundamentais,


Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso afinal,


Em nós, vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor,
Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso
afinal,
Em nós,vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor, vai.




Paulo Gonzo





Terça-feira, Dezembro 01, 2009

A solidão

A solidão
escreve-se na areia
depois de se reter na memória
mergulha-se de repente
numa apatia sem nome
as águas cálidas ajudam a repôr
o eco da nossa voz distante
presa na garganta
o grito solta-se finalmente
e tudo fica bem!...

annadomar

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Espelho de Água - Paulo Gonzo

Terça-feira, Outubro 27, 2009

A Terceira Mão!...


i



A primeira mão escreve com o tempo e contra

o tempoa segunda reescreve o passado com o futuro e

por todo o lado instaura o presente do fim

depois a terceira mão vem e escova

e constela os tempos



ii
A primeira monta um cenário nocturno

à esperada noite que virá. A segunda traz a esse cenário

a noite glaciar. A terceira sobrepõe as noites

e revela o seu povoamento

comum: luz eléctrica, papel intensificado,

uma teoria da escrita, desolação.



iii
Uma segreda e comove-se

no espelho tempestuoso.

Outra secao saco lacrimal e deduz de si mesmo o movimento

que faz a emoção: A terceira contribui

com o espelho das metamorfoses, a câmara

que filma a dedução

[e enlouquece numa só letra.


[in A Terceira Mão, Caminho, 2008

Manuel Gusmão

Terça-feira, Outubro 20, 2009

As chuvas!...


Conversam entre si a chegada
das chuvas
O início de outra estação em que tudo muda
vêm a terra com mais frequência
O sítio dos homens, está mais vazio
De tempos a tempos, alguém percorre
a praia de olhar triste e distante
a solidão aumenta com a chuvas
O mar é mais longe!...
Os gritos das gaivotas são mais agudos
annadomar

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Há...


Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Quando eu Morrer!...



Quando eu morrer não me dêem rosas mas ventos.
Quero as ânsias do mar

quero beber a espuma branca duma onda

a quebrar e vogar.
Ah, a rosa dos ventos

a correrem na ponta dos meus dedos a correrem,

a correrem sem parar.

Onda sobre onda infinita como o mar

como o mar inquieto num jeito de nunca mais parar.
Por isso eu quero o mar.

Morrer, ficar quieto, não.

Oh, sentir sempre no peito

o tumulto do mundo da vida e de mim.
E eu e o mundo.

E a vida.

Oh mar, o meu coração fica para ti.

Para ter a ilusão de nunca mais parar.


Alexandre Dáskalos

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

11 de Setembro!...




Para que não se esqueça,
os olhos de fumo,
as mãos impotentes
para segurar tanta dor!
annadomar

Domingo, Setembro 06, 2009

A espera!...

Estava tão apaixonado que se fechou em casa, sentado junto à porta, para poder abraçá-la assim que ela batesse para lhe vir confessar que também o amava.
Mas ela não veio e ele envelheceu. Um dia alguém tocou, levemente à porta e ele , apavorado, fugiu, escondendo-se atrás do armário.

Tonino Guerra

Sábado, Agosto 29, 2009

Solitude - Rodrigo Leão



A solidão também se constrói entre palavras fechadas ao vento!...

annadomar

Segunda-feira, Agosto 24, 2009


O deserto é um silêncio depois do mar,

É o êxtase da luz sobre o coração da areia.

Vai-se e volta-se e nada se esquece.

Tudo se oculta para depois se dar a ver

No ponto em que os ventos se cruzam

E as almas gritam no fundo dos poços.

Os cestos sobem e descem prometendo água,

Uma frescura que derrete a febre.

Não são as tâmaras que adoçam a boca,

É a beleza das mulheres dissimulando

O desejo como um pecado sob a escuridão dos véus.

As serpentes assobiam ou cantam

Conforme o veneno que lhes molda o sangue.

Enroscam-se sobre as pedras

como fragmentos de lua à espera da manhã.

E a sombra alonga-se nas dunas

Ondulando rente às palmeiras

Como a última cobra do medo das crianças.

Não há ruído maior que este silêncio

Que se serve com tâmaras e com chá

Na mesa rasteira, sobre a terra molhada.

É no que não se nomeia que está o infinito.



José Jorge Letria

Domingo, Agosto 23, 2009

Ausência!...

Mal te deixo,
Continuas em mim, cristalina
Ou trémula,
Ou inquieta, por mim mesmo ferida
Ou cumulada de amor, como quando os teus olhos
Se fecham sobre o Dom da vida
Que sem cessar te entrego.
Meu amor, encontrámo-nos
Sedentos e bebemos
Toda a nossa água e todo o nosso sangue,
Encontrámo-nos
Com fome
E mordemo-nos
Como o fogo morde,

Deixando-nos em ferida
mas espera-me
guarda a tua doçura.
Eu te darei também
Uma rosa.


Pablo Neruda

Sábado, Agosto 15, 2009

Mais perto do Tejo!...


Mais perto do Tejo,

há palavras

que tocam o sossego dos lábios

para dizer o sul da mágoa,

no voo convergente das gaivotas,

quando os barcos se abrem

ao argumento ondulado das marés.


De O Tejo e a margem sul na poesia
portuguesa: antologia, 1993

Graça Pires

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Instante!...

Ao anoitecer vem uma estrela
Visitar-me os olhos:

Deixo um lírio sobre a mesa
E o pão aos pássaros

Francisco José Viegas
Olhos de Água

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Amália Hoje - Medo!...




O medo veste-nos de cores frageis e desaparecidas em esquinas que se dobram com tanto esforço!....

annadomar

Domingo, Agosto 02, 2009

Despede-te de mim!...


Despede-te de mim, bate devagar à porta:
tenho vontade de recomeçar, reerguer escombros,
ruínas, tarefas de pão e linho, não dar
nome às coisas senão o de um vago esquecimento,
abandono. Despede-te de mim como se a vida
recomeçasse agora, não me procures onde
a memória arde e o destino se ausenta.
tudo são banalidades, afinal, quando assim
se recomeça e a vida falha como um material
solar e ilhéu. Levamos poucas coisas, basta
um pouco de ar, os objectos fixos, em repouso,
os muros brancos de uma casa, o espaço
de uma mão. Arrumo as malas e os sinais,
aquilo que nos adormece em plena tempestade.


De amor de O medo do Inverno em Metade da Vida, Quasi edições, Vila Nova de Famalicão
Francisco José Viegas

Quinta-feira, Julho 23, 2009

A arte da vida!...



"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. É preciso encontrar as coisas certas da vida, para que ela tenha o sentido que se deseja. Assim, a escolha de uma profissão também é a arte do encontro, porque a vida só adquire vida, quando a gente empresta a nossa vida, para o resto da vida".




Vinicius de Morais