domingo, dezembro 31, 2006
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Bom Ano 2007!...

Quero um ano novo, acabado de nascer , sem vícios nem palavras sujas, tais como- mentira, humilhação, desamor, intolerância, esquecimento, egoísmo, violência e outras tantas e tantas que aqui não caberiam, neste ano já quase sem fôlego a deixar-nos de mansinho e manhosamente como se não estivéssemos atentos a tudo isto!...
Quero um ano em que se consiga reaprender a partilha, o afecto o abraço na hora exacta, a palavra mágica, que nos empurra para lá deste nevoeiro que nos cega tanta vez! Saber olhar quem connosco se cruza, mas de frente sem receio se sofrer a dor ou o sorriso do outro. Ter os amigos mais por perto, mais disponíveis, menos distraídos deles e de outros.
Eu estarei por aqui, a tentar também o meu melhor, dando sentido às palavras em que tropeçamos ingloriamente. Um BOM ANO DE 2007!...
annadomar
quinta-feira, dezembro 28, 2006
terça-feira, dezembro 26, 2006
General, o teu tanque é um carro forte!...

General, o teu tanque é um carro forte.
Arrasa um bosque e esmaga centos de homens.
Mas tem um defeito:
Precisa de um condutor.
General, o teu bombardeiro é forte.
Voa mais rápido que uma tempestade e carrega mais que um elefante.
Mas tem um defeito:
Precisa de um mecânico.
General, o homem é muito hábil.
Sabe voar e sabe matar.
Mas tem um defeito:
Sabe pensar.
Bertolt Brecht
(Tradução de Paulo Quintela)
quinta-feira, dezembro 21, 2006
terça-feira, dezembro 19, 2006
sábado, dezembro 16, 2006
Gosto das mulheres!...

com a pressa das suas rugas,os cabelos caídos
pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterraneo
do tempo nos seus seios.
Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.
Nuno Judíce
quinta-feira, dezembro 14, 2006
O menino raptado!...
Para quem não saiba, raptaram o Menino Jesus do Presépio em Faro, esta notícia foi dada em telejornais no dia 13 de Dezembro. Malandros! Agora pergunto eu, quem vai pagar aos raptores? O José é carpinteiro e pobre a Maria para além de virgem não consta que tenha fortuna pessoal nem de família, embora seja uma boa mulher séria e dedicada a presépios. Assim, restam os animais que também nada poderão fazer por estes pais desesperados. Por fim, os Reis Magos desta história que segundo dizem hão-de chegar por volta do dia 6 de Janeiro até lá esqueçam, ele não vai aparecer!... Já nem os meninos especiais estão seguros, neste País sem coração ou sentimentos natalícios.
Bolas é só uma vez por ano, também não custa assim tanto, digo eu em surdina e a medo, não vão tomar-lhe o gosto exagerado pela bondade o que não deixaria de ser igualmente uma grande chatice. O que interessa mesmo é que alguém tem este menino. Até desconfiei de uma amigo que mora por aqueles lados desafiando-o a dizer se teria sido ele mas fez-se silêncio!...Ameacei-o de perdão pela minha parte, pela bela gargalhada que soltei ao ouvir a notícia. Sim, que gargalhadas por aqui há poucas e quando as há é uma verdadeira festa.
Assim, fico por este canto à espera de mais desenvolvimentos. Apesar de tudo a praça ficava mais engraçada com a criança ao frio mas sorridente , junto dos que a amam.Também fico à espera, que os dias corram até um Natal de 2006, aproveito até para desejar a todos os que me lerem um Feliz Natal, mesmo com o menino fora em outras mãos, mas que importa, tudo se resolverá com a chegada dos Reis Magos a tradição tem que ser cumprida e sem menino não haverá, ouro nem incenso nem mirra, o que nos tornaria ainda mais pobres!...

quarta-feira, dezembro 13, 2006
terça-feira, dezembro 12, 2006

Anda o luar, todo bondade,
Beijando a Terra,
a desfazer-se em luz... Amor!
São os pés brancos de Jesus
Que anda pisando as ruas da cidade!
E eu ponho-me a pensar...
Quanta saudade
Das ilusões e risos que em ti pus!
Traças em mim os braços duma cruz,
Neles pregaste a minha mocidade!
Minh'alma que eu te dei, cheia de mágoas,
É nesta noite o nenúfar de um lago
Estendendo as asas brancas sobre as águas!
Poisa as mãos nos meus olhos, com carinho,
Fecha-os num beijo dolorido e vago...
E deixa-me chorar devagarinho...
Florbela Espanca
segunda-feira, dezembro 11, 2006
quinta-feira, dezembro 07, 2006
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Retalhos!...

A vida chega a retalho
Em sintonia com o azul
Dum céu caído, oferecido
às gaivotas, aos pássaros
perdidos em voos razantes.
Ela estava lá, sózinha
suspensa naquele cais
Envelhecido em tempo
cheio de histórias,
segredos a contar
Houvesse alguém para ouvir...
A flor começara a morrer
junto a ela, junto ao mar
junto ao tempo que a esquecera
Mas ela estava lá,(des)esperando
Uma vida,uma palavra, um beijo...
annadomar
terça-feira, dezembro 05, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
domingo, dezembro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Poema de um funcionário cansado!...

dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo as casas engolem-nos
sumimo-nos estou num quarto só
num quarto só com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder
num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico
na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter
cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente
perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino irmão
beijo namorada
mãe estrela música.
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite
comprida num quarto só.
ANTONIO RAMOS ROSA